


Senti falta do meu sorriso daquela época. Senti falta de ter a certeza de que em um dia na semana meu riso era certo. Senti falta do meu eu anterior, mesmo com uns quilinhos a mais, mesmo com um cabelo ridículo, eu senti falta. Senti falta dos meus 14 anos. De ser e viver como um garoto de 14 anos. Senti falta dos calos nos pés, da água barrenta, das noites mal dormidas, das piadas mal contadas, de ficar rouco de tanto gritar de euforia, de musiquinhas sem sentido que falava de um homem chamado Malaquias que cozinhava algo na pimenta e dizia que não ardia, e no fim de tudo, ardia muito. Senti falta de dancinhas que me faziam as vezes descer até o chão, sem precisar corar as bochechas. Eu senti falta de quando o que me fazia chorar era uma musica que dizia “porque perder a esperança de nos tornar a ver, porque perder a esperança se há tanto querer, não é mais que um até logo, não é mais que um breve adeus, bem cedo junto ao fogo tornaremos a nos ver” e não a saudade. Mas a ultima parte da musica que me fazia chorar se repete na minha cabeça “mas o senhor que nos protege e nos vai abençoar, um dia certamente vai de novo nos juntar” na esperança que aconteça.